Naval: mais uma história de lutadores! (Na Primeira Liga: Que desafios, que perplexidades?)
Com a subida consumada cabia à direcção de Aprígio Santos, carismático Presidente da Naval, preparar a primeira temporada de sempre no escalão maior do nosso futebol. Era sabido que a Naval, por ser uma equipa pequena, nunca gastando acima do que podia e não entrando em megalomanias, poucos recursos possuía para investir em jogadores com experiência/qualidade para praticar a maior prova nacional. Por isso, numa equipa, aparentemente, sem grandes reforços, era previsível que se apostasse na prata da casa.As principais saídas no plantel foram o atacante Basílio Almeida, o médio ofensivo Zé Roberto e o Ponta de lança Leandro Tatu. Estes 3 jogadores tinham rendido 22 golos na época anterior. Foi, por assim dizer, uma estrutura ofensiva “lançada às ortigas”. Perante esta situação tornava-se pertinente a contratação de jogadores ofensivos de qualidade. Na defesa, o panorama era outro. A saída de Ivo Afonso (defesa central quase sempre titular) não se faria notar tanto como as saídas dos avançados. Rogério Gonçalves, talvez pensando na penosa passagem que teve na I Liga com o Varzim, decidiu abandonar a aventura primodivisionária, aceitando o aliciante convite do Leixões, equipa que iria ter o 2º maior orçamento da II Liga, e que mesmo assim, superava o da Naval.
Era, portanto este, o panorama figueirense no começo da sua aventura primodivisionária. Aprígio Santos conseguiu, com alguma surpresa, a melhor contratação para o seu projecto, isto é, o facto de Manuel Cajuda aceitar treinar a Naval juntava, por certo, o treinador com mais jogos no escalão maior (no activo), com a equipa menos experiente da prova. Os 392 jogos de Cajuda eram um excelente cartão de visita. Em termos lógicos (duvidando que isso exista no futebol), a opção até foi bem encetada. Faltava ver o produto final ou resultados práticos que ela podésse gerar.
Quais os reforços?
No mercado português o projecto recém-primodivisionário da Naval aliciou os seguintes jogadores:
Bessa (lateral direito/esquerdo, ex-Vitória de Guimarães)
Gilmar (médio defensivo centro, ex-Varzim)
Lito (extremo esquerdo, ex-Moreirense)
Saulo (extremo direito, ex-Rio Ave)
Do mercado brasileiro vieram: Bruno Fogaça (ponta de lança), Wilson Júnior (guarda-redes), João Paulo (defesa central), Márcio Lúiz (Médio ofensivo) e, por último, Bruno Cazarine (ponta de lança).
Equipa tipo orientada por Manuel Cajuda: Wilson Júnior/Taborda; Carlitos, Fernando, Nelson Veiga, China; Glauber, Gilmar, Solimar; Lito, Fogaça e Cazarine. (a principal estrela da época anterior, Fajardo, era suplente utilizado quase sempre)
Conseguir sobreviver até ao Natal era um objectivo bastante pertinente para os comandados de Manuel Cajuda. Sem muitos recursos para contratar jogadores com créditos prestados, a reabertura do mercado em Janeiro tornava-se aliciante para a Naval, pois quem não estava a jogar nos seus clubes e tivesse valor, aceitaria jogar por qualquer preço noutro clube qualquer, quiçá na Figueira da Foz.
A Liga Betandwin começou da melhor maneira possível. Diria que foi mesmo inesquecível. O Estádio com o nome do 1º Rei de Portugal apadrinhava a estreia da Naval nos relvados do escalão maior. E, mesmo em Guimarães, nem o adepto mais optimista previa um resultado tão surpreendente. Frente a um Vitória “novo” e sem automatismos, os comandados de Cajuda vulgarizaram por completo a equipa minhota. 2-0 foi o resultado da contenda. Bruno Fogaça com um grande golo começou a destacar-se na frente figueirense. Ao marcar também ao F.C. Porto, na jornada seguinte, e ao Benfica, no empate a uma bola em casa, começou a justificar a aposta que a Naval tinha creditado em si.
Mas, nem tudo eram rosas. Com apenas 11 pontos em 14 encontros, Manuel Cajuda decidiu abandonar o barco (não se sabe bem se o convite do Zamalek já lhe tinha sido endereçado). O que é facto é que Cajuda saiu da Naval. E, no plano de resultados as coisas não corriam nada bem. Cajuda saia com 5 derrotas consecutivas e, nos seus últimos 7 jogos, apenas empatou frente ao Benfica. (e todos os jogos fossem contra este adversário...)
A força e pujança iniciais de quem chega pela primeira vez a uma Liga nova foi-se perdendo cedo e, apenas com 3 vitórias, o treinador algarvio abandonou o barco. A equipa tornava-se pouco produtiva, nada consistente, cometendo inúmeros erros, fruto da inexperiência dos seus elementos. Para ajudar a tudo isto fica-me na retina a falta de ambição demonstrada por Manuel Cajuda quando proclamou a célebre frase: “Mesmo que a Naval fique em último, irá sempre fazer a melhor classificação de sempre na I Liga.” Apesar de pensar que a frase era tonificadora e fortalecedora para o plantel, Cajuda errou. Este é um facto que marca pela negativa a motivação da equipa, quer queiram, quer não!
Portanto, em vésperas de receber mais um grande, na 15ª jornada, a Naval tinha levado uma “chicotada psicológica”. No jogo contra o Sporting, na jornada referida, o técnico dos navalistas foi o sempre nobre e bem-vindo ao clube, o ex-adjunto de Trapattoni, senhor Álvaro Magalhães. A Naval estava em zona de despromoção e, com o historial que este técnico tinha na equipa, acredita-se de novo que é possível a recuperação na pauta classificativa. Só as vitórias davam esse sinal de recuperação. Álvaro começou mal. Duas derrotas a juntar às 5 que Cajuda tinha deixado auguravam tempos verdadeiramente complicados. Apesar de Álvaro Magalhães em menos jogos que Cajuda já ter feito 10 pontos (3V, 1E, 5D) só faltando um para igualar o antecessor, a equipa figueirense pouco futebol tem para mostrar.
Nem as contratações de Inverno como Franco (central), Pedro Santos (médio multifacetado), Léo Guerra, Benatti, Del Pietro e Tagrão, trouxeram algo à equipa. A eliminação da Taça, em casa frente ao F.C. Porto, foi um facto que desanimou ainda mais as hostes figueirenses.
O útlimo jogo, foi no Domingo, com o Sporting de Braga na Figueira da Foz, com o resultado de 1-0 para os minhotos. A equipa foi ultrapassada pelo Vitória de Guimarães e está agora no 17º posto com 21 pontos a 5 pontos da primeira equipa em zona de salvação. Cada jogo perdido é, depois, menos um jogo que se tem para recuperar. A meta dos 36/38 pontos pode não ser suficiente para a equipa permanecer na divisão maior. A razão principal é a descida de 4 emblemas. E, com toda a crise económica que assola o futebol, a queda da equipa na II Liga, poderá ser um fardo demasiado pesado para a actual direcção podendo mesmo terminar com este velhinho clube que nasceu de origem operária que apoiavam pessoas desfavorecidas.
Esperando que tenham gostado deste mini-estudo de pesquisa despeço-me pedindo uma missão “quase” impossível. Força Naval! Força Álvaro Magalhães.
André Trindade

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home