Equipas de recurso têm avançados com luvas
ESTORIL E MARCO IMITAM OVARENSE E UTILIZAM GUARDIÕES NA FRENTEA Liga de Honra conheceu ontém (15 de Janeiro de 2005) o segundo capítulo de uma realidade, à partida, efémera: os guarda-redes avançados. A Ovarense abriu honras na última jornada, tendo como intérpretes Hugo Évora – que, não fosse o natural desacerto em zonas mais adiantadas do terreno, até poderia ter marcado... – e Armando.
Agora, novos heróis saltarão para a ribalta.“Farei isto pelo grupo, que não tem mais opções. Vou correr, dar o máximo e podem contar comigo”, salienta Fábio Carvalho, brasileiro do Estoril que só conheceu posição diferente... na praia. “Não estou nervoso. Ninguém pede responsabilidades ou exige mais do que vou fazer”, sublinha. Tónica idêntica, “actor” distinto.
Ricardo Pinheiro, guardião do Marco, conhecerá hoje um novo posto em termos profissionais: “Jogarei na posição que for necessário porque, neste momento, importa a equipa. Mas a bola é redonda e estou pronto para satisfazer as necessidades do técnico.” Substitutos naturais. Em paralelo, é crível que, em ambos os casos, os guarda-redes que ficarem de fora possam entrar durante o jogo. A falta de rotatividade em posições avançadas condiciona – em termos físicos – a já complicada tarefa, pelo que Celso (que foi testado como avançado ao longo da semana) e Bruno poderão preparar-se para a aventura.
Este texto, acima transcrito da página do Record on-line, mostra uma realidade fracturante no nosso futebol. A que ponto chegámos para serem os guarda-redes a jogarem em posições mais avançadas no campo? A conversa é a mesma, entre ordenados em atraso e rescisões de contrato, surgem recusas para se entrar em campo de forma digna. Curiosamente, isto de dignidade tem que se lhe diga. Então, os jogadores de campo que rescindem ou passam sem salários estão em pé de igualdade com os heróicos guardiões, não é? A pergunta pode fazer surgir algumas críticas aos que rescindem e aos que não jogam por não receberem. Calma, não é nada disso. Escrevi para enaltecer o papel fantástico e prodigioso destes profissionais. Os que não recebem não têm culpa e são profissionais autênticos, mas infelizmente, já bateram com a porta.
De referir, após esta menção aos "keppers" da II Liga, o papel de um extraordinário ser humano. Marco Paulo, alguém conhece? Este médio português, que já passou pelo Beleneneses, tem sido o "pai" dos resistentes que sobram no plantel Estorilista. Todos sabemos da crise que se passa na Amoreira e, Marco Paulo, com um sentido profissional fabuloso é porta-voz do grupo, é treinador-jogador, é capitão em campo, é um "pai" para todos. O Estoril, como se referiu acima, teve que utilizar hoje, em Portimão, o guarda-redes Fábio em terrenos mais avançados. E no banco, um jogador, ele também, um guarda-redes. Marco Paulo, suporta, sem obrigação nenhuma, esta situação toda. Um exemplo de profissionalismo e coragem no futebol. Que grande coração!
Um palavra especial para o defesa direito José António que, segundo se sabe, sofre de esclerose múltipla. Esta foi a doença que vitimou o malogrado João Manuel. A todos os amantes: uma sentida relfexão sobre isto e, se puderem, enviem um mail (provavelmente para a caixa do site do Leixões) ao jogador leixonenese. São pequenos gestos que nos fazem grandes!
Um abraço,
André Trindade

1 Comments:
José António, uma grande pessoa, um grande jogador, que passou ao lado de uma carreira de alto nivel e que luta pela vida neste momento. Um jogador à Leixões.
Força Zé António!
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