segunda-feira, janeiro 09, 2006

As contas do futebol (opinião de um leitor)

Não tenho nem de perto nem de longe os conhecimentos futebolísticos dos outros intervenientes aqui, mas existe algo que tem passado no futebol português que qualquer adepto consegue perceber que é estranho, e que o mais estranho tem sido a passividade de quem deveria regular e supervisionar os clubes ou sads.

Exemplos do Campomaiorense e Leça que fecharam portas por falta de viabilidade financeira para sustentar as equipas profissionais já nos fazem pensar como é que se mantém uma equipa em Portugal, este ano tivemos situações no mínimo escandalosas.
Começando na crise no Alverca passando pelo Farense que jogou vários jogos com a equipa de juniores, já de si davam muito que falar, como deixar equipas históricas e que representam e identificam regiões e culturas “morrer” assim…

Mas os casos mais incríveis para mim são os da Ovarense, Estoril e Setúbal. Clubes que entram em ruptura financeira um mês depois da época começar, orçamentos feitos com as futuras receitas televisivas e de bilheteira (como se conseguissem fazer muito), contratações que afundam ainda mais o clube, (que continua a pagar os chorudos salários da direcção) e que depois não conseguem cumprir os compromissos acordados com os jogadores.
Mas admiro, e muito, esses jogadores que mesmo sem ver as verdinhas, não porque ganhem muito mas porque não se vive do ar, continuaram semana após semana a jogar com vontade e força e conseguindo resultados incríveis.
Os vários pré-avisos de greve, algumas rescisões com justa causa, a pressão do sindicato, apenas fez surgir os dirigentes dizendo que os jogadores agiam de má fé e que a situação seria em breve resolvida, mas semana volvida e o problema subsistia, mas os jogadores no verdadeiro amor à camisola, e respeito aos adeptos que pagam as quotas e bilhete, iam para o campo e jogavam, na esperança que fosse de facto a semana das resoluções.

Infelizmente para alguns o fecho foi a única solução, se fechar portas no início da época ainda pode ser aceitável, fechar portas com a competição a decorrer trás um sentimento de incompreensão e revolta notável.
Confesso que neste momento não sei como se encontra a situação da Ovarense e Setúbal, mas fico triste de saber que para aos lados da Amoreira o túnel fechou-se sem que a luz salvadora fosse avistada, incrível como a direcção nem compareceu para dar uma palavra aos jogadores que receberam explicações de um porta-voz…engraçado também o fax enviado com prontidão para as redacções alertando que ainda poderia haver uma solução que viabilizava a deslocação ao Desportivo das Aves, um balão de oxigénio não suficiente para aguentar a época inteira.

-- Fica aqui um edição à versão inicial -- estoicamente a equipa do Estoril compareceu ao jogo mas perdeu por 2-1.
Quem não compareceu foi a equipa do Marco, por razões já descritas neste blog. --

Mas no meio disto tudo uma questão surge: “então mas a liga/federação não fazem nada?”
E de facto não fazem, pelo menos que tenha conhecimento, incrível como deixam passar orçamentos com receitas futuras e como depois deixam estas situações acontecer sem nada fazer, no caso do Setúbal mais confusão faz pois tinha de cumprir requisitos da UEFA para participação europeia em virtude da vitória na Taça de Portugal…
Mas vi outro dia o senhor Valentim Loureiro dizer para os intervenientes terem calma e tentaram encontrar uma solução comum (fez-me lembrar os apelos de serenidade e estabilidade do Presidente Sampaio).
Perante isto o que dá vontade de fazer? Eu ri! Mas ri-me não por ter graça, mas porque é incrível como se pode apelar à calma numa situação destas! Acho que muita calma já tiveram os jogadores durante muito tempo! Desde Setembro sem receber? Mas onde é que pode haver calma?
Já para não falar do senhor Gilberto Madaíl que as únicas declarações por mim conhecidas foram estas: “Quando entregaram os papéis estava tudo em ordem.”
De facto as preocupações eram outras, o Euro Sub-21 ainda não tinha sido decidido e a chamada operação de charme na UEFA era o que mais preocupação levantava.
Do governo também nenhuma palavra, mas palavras leva-as o vento, o que o caso precisa (assim como o futebol português) é de acção!

No meio disto tudo quem sofre são os jogadores que jogam, literalmente, para aquecer e sofre também o futebol português com o dirigismo que ganha a relevância que lá fora não tem, nem precisa, quem precisa são os artistas da bola que no fundo querem o que todos queremos, ver o seu valor recompensado.

É a opinião simples não de um treinador de bancada, mas de um adepto que preza o respeito de todos a todos os intervenientes.


Ricardo Magalhães - Leitor assíduo do nosso blog e estudante do IST

Agradecemos a participação dos nosso leitores. Foi com esse intuito que criámos este blog!
Um abraço

Publicado por: Alexigor