quarta-feira, janeiro 18, 2006

Mourinho: onde param os primeiros convocados?

José Mourinho estreou-se como treinador principal no Bessa, apenas dois dias depois de ter sido apresentado no Benfica. Com apenas duas sessões de treino, desmontou o esquema táctico de Heynckes, recuperou a defesa com quatro elementos, colocou Poborsky no centro, ao lado de Maniche, e ofereceu a titularidade a Sabry no lado esquerdo. Fomos à procura do grupo que fez parte da primeira convocatória de Mourinho.

Enke
Foi titular nos onze jogos de Mourinho no Benfica e ainda fez mais uma época com Toni, antes de manifestar o desejo de sair da Luz, aliciado pelo Barcelona. Nunca foi feliz na Catalunha, onde, em uma época e meia, só fez um jogo. Em Janeiro de 2004 mudou-se para a Turquia para vestir a camisola do Fenerbahçe, mas também foi pouco utilizado. Só voltou a calçar as luvas com assiduidade depois de regressar à Alemanha, em 2004/05, com a camisola do Hannover.

Dudic
Foi uma das surpresas no primeiro onze de Mourinho, uma vez que não tinha lugar na defesa de três elementos de Heynckes, mas só voltou a participar em mais quatro dos onze jogos de Mourinho. Nunca se adaptou e acabou por regressar ao Estrela Vermelha, a título de empréstimo, no final da época. Foi esquecido ao longo de mais de três anos e o Benfica só se lembrou dele no início da presente época quando o lateral se apresentou na SAD ainda com mais um ano de contrato. Depois de uma rápida desvinculação, Dudic assinou pelo Mons da I Divisão da Bélgica.

Ronaldo
Participou apenas nos primeiros cinco jogos de Mourinho, perdendo depois o lugar para a dupla Marchena-Meira. A falta de oportunidades e a boas condições financeiras de uma proposta chegada da Turquia levaram-no a sair no final da época para o Besiktas onde jogou até ao final da época passada.

Paulo Madeira
Também só fez quatro jogos com Mourinho. Ficou mais um ano na Luz, mas o seu vínculo com o empresário Paulo Barbosa afastou-o da equipa e juntou-se ao grupo dos proscritos. No final do contrato, depois de uma passagem pela equipa B, surpreendeu o mercado de transferências, invertendo o fluxo habitual para assinar pelo Fluminense. Nunca chegou a jogar no Brasil e só voltou a aparecer com regularidade em 2003/04 no E. Amadora.

Rojas
O lateral argentino também contou com muitas dificuldades para se adaptar ao futebol português. Com Mourinho começou na esquerda, mas fez mais jogos na direita até perder a titularidade. Saiu no final da época sem deixar saudades para a Universidad do Chile. Prosseguiu a sua carreira na América do Sul e chegou a vestir a camisola do River Plate.

Fernando Meira
Foi dos poucos totalistas no Benfica de Mourinho. Ficou mais um ano com a promessa de que sairia no final da época. O Estugarda veio buscá-lo a Lisboa e rapidamente impôs-se na Bundesliga onde, ao longo das últimas quatro épocas, solidificou a sua carreira com estatuto de internacional.

Poborsky
Não ficou muito mais tempo na Luz do que Mourinho. Mal abriu o mercado, em Janeiro de 2001, partiu para a Série A do Campeonato italiano para assinar pela Lazio de Fernando Couto. Fez ainda mais uma época de bom nível em Itália antes de regressar à sua terra natal para representar o Sparta Praga, camisola que vestiu até há poucos dias.

Maniche
A carreira de Maniche está intimamente ligada à do actual treinador do Chelsea. Foi titular logo no primeiro jogo, no Bessa, e a partir daí participou em praticamente todos os jogos até à tumultuosa saída do treinador. Foi perdendo protagonismo com Toni e, na época seguinte, foi mesmo condenado ao ostracismo. Perdeu uma época na equipa B e só voltou a ser feliz com Mourinho, no F.C. Porto onde, ao longo de dois anos, ganhou tudo o que havia para ganhar, incluindo um lugar no onze de Scolari. Com Mourinho no Chelsea, Maniche perdeu fulgor e, após um ano em que venceu a Supertaça Nacional e a Taça Intercontinental no Dragão, deixou-se seduzir pelos rublos do D. Moscovo. A experiência na Rússia não correu pelo melhor e, como não podia deixar de ser, Mourinho trouxe-o para o seu Chelsea. Maniche está em período de adaptação à nova realidade. Será mais uma feliz com Mourinho?

Carlitos
Foi um dos jogadores mais utilizados por Mourinho no Benfica. Depois da saída do treinador esteve mais quatro épocas no Benfica, mas não voltou a fazer tantos jogos como em 2000/01 (25 jogos). Foi perdendo influência na equipa e, na época seguinte, chegou a jogar na equipa B. Saiu em 2003/04 para a segunda divisão espanhola, para o Poli Ejido. Este ano regressou ao Gil Vicente, onde passou os anos mais felizes da sua carreira.

Van Hooijdonk
Indiscutível no Benfica, deixou marcas com Mourinho e continuou a triunfar após a saída do treinador da Luz. Nos últimos cinco anos venceu por uma vez a Taça UEFA, ao serviço do Feyenoord, em 2002, tendo passado dois anos naquele clube depois de ter rejeitado uma abordagem do F.C. Porto. Jogou duas épocas no Fenerbahçe e este ano voltou ao seu país, mais concretamente ao NAC Breda, tendo já no horizonte o final da carreira.

Sabry
No tempo de Mourinho ficou conhecido por demorar oito minutos a trocar de botas para entrar em campo. Afastado das escolhas do técnico também nunca conseguiu ser o jogador que ameaçava ser. Internacional egípcio, jogou ainda no Marítimo e no Estrela da Amadora, tendo regressado sem qualquer tipo de fulgor ao seu país para representar os modestos ENPPI e Gaish.

Bossio
Foi suplente não utilizado no Bessa, no jogo de estreia de Mourinho, e nunca conseguiu ganhar o lugar a Enke. Essa foi, aliás, uma sina nos cinco anos de contrato que assinou com o Benfica, que o levaram a jogar um ano no V. Setúbal antes de terminar o vínculo ao clube da Luz. Rotulado de craque, nunca conseguiu a afirmação total e regressou à Argentina em 2004, passando a representar o Lanús.

Calado
Era uma das figuras do Benfica na época de Mourinho, mas um ano depois optou por transferir-se para Espanha para tentar acabar com um boato altamente lesivo para a sua vida privada. Assinou pelo Bétis em 2001, mas nunca foi feliz, tendo sido sucessivamente emprestado ao Poli Ejido, onde conseguiu encontrar um lugar ideal para explanar o seu futebol.

João Tomás
Avançado goleador já no ano de Mourinho, João Tomás não conseguiu ser totalmente respeitado no Benfica e também ele teve de rumar a Espanha e ao Bétis de Sevilha para provar as suas qualidades. Após dois anos algo inconstantes, foi emprestado ao V. Guimarães, mas foi no Sp. Braga, na época passada, que deixou a sua marca, ao ponto de ter sido contratado pelos arsenalistas a título definitivo.

Miguel
Em 2000, Miguel era apenas um jogador promissor que jogava essencialmente pelas alas. Mais tarde, não com Mourinho, chegaria o tempo em que Chalana se lembraria de o adaptar a lateral e a sua vida mudou por completo. Tornou-se internacional e cobiçado por meia Europa, tornando o Benfica um sítio muito pequeno para sua ambição. Envolvido num conflito que animou os media durante várias semanas, assinaria pelo Valência, onde tenta encontrar o seu espaço.

Sérgio Nunes
Defesa-central de recurso, é mais um dos muitos jogadores que não se conseguiram adaptar ao clube. Foi emprestado na época seguinte ao Santa Clara e aí ficou até 2003/04. Na temporada passada assinou pelo Desp. Aves, onde permanece.

Kandaurov
Médio internacional ucraniano, de origem russa, muito dotado tecnicamente, mas com dificuldades de afirmação no clube. Passou tempos difíceis no Benfica e viria a sair pela porta pequena, chegando a jogar em Israel. Tentou uma nova passagem pelo Felgueiras, já com 30 anos, mas não passou de fogo de vista.

Uribe
Cristián queria ser titular no Benfica e houve um tempo em que o conseguiu, jogando em missões defensivas no meio-campo. Tal como alguns dos seus colegas, deixou alguns bons indicadores, mas não conseguiu atingir um nível de regularidade que lhe permitisse ficar muito tempo no clube. Andou perdido no Chile e chegou a jogar no Moreirense, mas foi rapidamente despachado. No seu país ainda é muito reconhecido no D. Concepcíon.

São só os convocados para o jogo do Bessa, o primeiro de Mourinho. Faltam Marchena, os "irmãos-metralha", Dani, entre outros...

José Mourinho passou os seus melhores anos em Portugal, pelo menos até agora. Foi no Benfica que começou a carreira de técnico principal e foi no F.C. Porto que conquistou tudo o que havia para conquistar, a nível nacional e internacional.

Maisfutebol obrigado!

Um abraço,

André Trindade