Então e ninguém fala do Nacional? (um pouco longo mas interessante)
De facto, este blog já nos presenteia por temas de inúmera qualidade e conteúdo mas, penso que haverá uma ligeira falha, se não falarmos desse clube que, hoje por hoje, é objecto de estudo de vários teóricos do futebol, pela sua excelente classificação. Falo-vos do Nacional da Madeira. Pois é, a equipa da Choupana reside no segundo lugar da nossa Liga. Dados concretos: 2º lugar, 33 pontos, 10 vitórias, 3 empates, 3 derrotas, 20 golos marcados, apenas 7 golos sofridos (5 em casa e 2 fora). Extraordinário. Vejamos: uma equipa que só almejava a manutenção está a 3 pontos de atingir o objectivo com apenas 1 volta volvida. Espantoso. Depois antes de partirmos para detalhes, há que referir a enorme qualidade da defesa madeirense que sofreu apenas 7 golos. É um excelente número no geral, sendo que fora de casa, apenas encaixou 2 tentos, curisomente na capital portuguesa e originando duas derrotas (Luz e Restelo).Na época passada dois treinadores dividiram o campeonato exactamente ao meio: Casemiro Mior não pôde dizar não a um convite que lhe chegou do Brasil e despediu-se dos madeirenses precisamente na 17º jornada (venceu por 3-2 o sporting, na despedida). Entrou João Carlos Pereira. Fez as mesmíssimas 17 jornadas e... também ele se despediu com um triunfo sobre o Sporting em Alvalade. As coincidências não se ficam por aqui: ambos somaram 9 vitórias. As poucas diferenças jogavam a favor do jovem treinador ex-Briosa na questão dos golos (com ele o Nacional marcou mais seis e sofreu menos dois), e a favor do brasileiro ao nível dos empates (mais um) e derrotas (menos um). Tudo somado revelou-nos um Nacional muito aquém do ano anterior em que ficou em 4º lugar e garantiu a presença na Taça Uefa. A goleada imposta ao FC Porto, em pleno Dragão (4-0) acaba por ser o momento alto da temporada nacionalista (e que momento). Só que depois desse brilharete... seguiram-se cinco jogos sem vencer.
Época terminada: 12º Lugar com 41 pontos. Para esses 41 pontos, só faltam escassos 8 pontos esta época para igualar a parada passada (e só vamos na 17º jornada). O Presidente Rui Alves perante o panorama de "descrença" e crispação tomou uma das decisões mais acertadas da sua gestão: contratou Manuel Machado. E este aceitou. Foi a grande contratação para os madeirenses. Manuel Machado vinha de uma segunda volta perfeita em Guimarães, em que deixou a equipa no 5º Lugar (não esquecer que tinha pedido a demissão em Janeiro, aceitou ficar mais um tempo, perdeu também Nuno Assis, o melhor jogador da equipa). Vinha de um feito notável na cidade-berço mas, com a demissão pedida em Janeiro, acabou por, no final da temporada, sair do Vitória de Guimarães trocando-o pelo Nacional. O projecto parecia aliciante. Não sei se Manuel Machado teve alguma opinião na contratação de jogadores mas, comparativamente à temporada passada o Nacional perdeu, só o goleador e o assistente (Adriano e Gouveia respectivamente). Os "normais" brasileiros que já são apanágio do Nacional chagaram em força, no entanto, tirando André Pinto (que regressou de empréstimo) nenhum vingou até à altura. Ao perder, principalmente, o goleador Adriano e o médio Gouveia, a equipa viu-se orfã de quem liderásse o ataque. E sem um ataque sóbrio não podem haver golos que dêm pontos.
Por isso, Manuel Machado teve que preparar uma solução neste campo. Quanto a mim, a solução foi acertada. O Nacional antes jogava num claro 4-4-2 (losango), isto é, 4 defesas um trinco, 2 médios interiores, um "nº10" e 2 avançados bem móveis. A equipa gostava de ter a bola no pé e jogar em ataque continuado pois não tinha muita velocidade para o contra-ataque, nem conseguia ser aquela equipa de defesa intensa. Tinha 2 treinadores abertos que gostam do futebol limpo, atacante e se possivel eficaz. Não vamos dizer que Manuel Machado não goste deste modelo de jogo ou de Futebol. Sabe-se de antemão que Manuel Machado é um treinador frio, calculista e muito rigoroso. Não o vamos apelidar de "Trap" mas a filosofia não diverge. Gosta de ter as costas bem cobertas, gosta de prever todos os riscos a correr e gosta de equipas rápidas e eficazes, se possível no contra golpe. A diferença é que, quando Trap perdia ou empatava e precisava de vencer pouco ou nada arriscava e, nessa situação, Manuel Machado liberta-se um pouco da sua matriz belindada e tenta arriscar e levar a equipa para a frente. Mas, estando certo ou não com esta ideia, sabemos que Manuel Machado não tinha jogadores para jogar em ataque continuado. Sendo assim, a sua opção é correcta: Apostar numa defesa sólida, com Ávalos (o muro) e Cardozo ou Fernandes a ajudarem, tirar partido de Miguelito, lateral rápido e de bom tiro esquerdo e de Patacas, dando-lhe liberdade q.b. para subir e centrar, manteve Cléber Monteiro, que com a sua fome de bola e bom lançamento longo faz de tampão da defesa, recebeu Chainho e tirou o melhor partido deste, isto é, pô-lo no centro a ter combate pela bola, mas ao mesmo tempo a ter liberdade de a ter no pé e a distribuir, tudo isto deu liberdade ao melhor jogador da equipa, Bruno, penso que é aí que ele gosta de jogar, ou seja, um pouco mais recuado que "nº10". Depois tinha Alexandre Goulart como "pau para todo o ataque", isto é, defende: fica à frente dos 3 médios e atrapalha a acção deste ou daquele defesa, ataca: tens liberdade para tudo, centra, remata, ganha faltas e tem a ajuda de bruno. Faltam 2, Manuel Machado costuma utilizar um jovem chamado Viveiros que está a ser uma enorme revelação e claro, o ponta de lança André Pinto (mais vezes que Chilikov). Viveiros é um ala, como Patacas não sobe tanto como Miguelito, Viveiros faz a continuação do seu jogo e tenta pressionar os defesas na ajuda ao dianteiro Pinto. André Pinto está no campo para marcar golos, não é estático mas porpõe-se que seja eficaz. Eis o Nacional desta época. É sabido que manteve alguns jogadores da época transacta mas, com saídas importantes, Manuel Machado parece saber explorar esta equipa ao máximo. Na baliza desfez-se o mito de Hilário, ou seja, depois de ter tirado (por razões de empréstimo) o lugar a Carrapato, o actual técnico não teve contemplações e ergueu à baliza nacionalista um puto de 21 anos, o suíço, Diego Benaglio ex-reservas do Estugarda da Alemanha. É simples ver que este miudo tem uma segurança mordaz nas bolas aéreas para a idade que têm e, entre os postes caminha para uma nota bem elevada jogo a jogo. Resumindo: Benaglio, Patacas, Ávalos, Cardoso ou Fernandes, Miguelito, Cléber, Chainho, Bruno, Goulart, Viveiros, Pinto. Quem diria que estes desconhecidos fizessem tal proeza e conseguissem o segundo e regular lugar da liga? Ninguém! Actor principal: Manuel Machado. Sabemos que têm também, bons suplentes, apontei apenas o nome de Ricardo Fernandes e Chilikov mas, Alonso, Emerson, Pateiro, Anic, Serginho Baiano e Miguel Fidalgo merecem estar aqui referidos.
Em suma, um Nacional que perdeu pedras importantes e mudou de treinadoreste. Tudo tinha que recomeçar do zero. Este aproveitou o que tinha de melhor, ou seja, rejeitou a fantasia brasileira em detrimento da frieza dos mais velhotes. Pois, é que a média da equipa inicial bate os 26 anos. Com esta idade já se têm muitos anos de bola. Rejeitar jogadores sem nome como Salino, Alex Terra, Genalvo ou Luisinho preferindo os portugueses Miguelito, Chainho, Viveiros e os Balcãs Anic ou Chilikov parece estar a dar uma pequena lição aos clubes portugueses. Cá dentro também há craks e não são só os brasileiros que dão pontos. É claro que é um pouco exagerada e premeditada esta análise pois Alexandre Goulart e André Pinto, dois brasileiros, são importantíssimos na produção ofensiva da equipa do Nacional. Mas fica a ideia, não a rejeitem.
Equipa com média de idades elevada e experiência, o samba suficiente, a disciplina no topo, fecha muito bem, saí ainda melhor para o ataque e tem dois pontos fortíssimos: quando marca primeiro é, quase, impossível dar a volta. Aliás, até ao momento ninguém conseguiu vencer o Nacional quando estes marcam primeiro. Outro ponto: é uma equipa mortífera nas bolas paradas. Quando há cantos, livres perto da área, o mais provável é acontecer a festa do futebol (Bruno assume aqui um papel preponderante, não só a assistir como a marcar). Um palavra para Miguelito, que mostra capacidade para ser um lateral de grande categoria: marca bem os livres, centra bem, corre muito, tem bom drible, fecha bem, o esquedo não atrapalha o direito, pena não ser tipo Del Horno, isto é, estrutura fisica alta e ecorpada. De facto, ele iniciou-se como médio ala esquerdo, potencia para atacar não lhe falta mas, Carlos Brito, treinador que lhe indicou o lugar de defesa esquerda não estava errado. E Machado não falhou ao fazer dele um "box to box" na esquerda da equipa nacionalista. Como Goulart não caí muito para aqueles terrenos e Viveiros joga preferencialmente pela direita, Miguelito sabe explorar muito bem a esquerda pois tem ordens muito precisas para o fazer. De resto está no bom caminho para ainda dar um salto maior. Para finalizar penso que é bom referir a carreira do Nacional fora de portas. Já referi que só sofreu dois golos nas únicas derrotas mas aqui refiro os jogos e números para cada um tirar a sua conclusão e pensar no que será que Machado lhes diz quando jogam fora da Choupana (onde não são nenhuns meninos também):
Jogos Fora: 1-0 Paços Ferreira, 1-0 Gil Vicente, 0-0 Leiria, 0-0 Guimarães, 2-0 Amadora, 1-0 Rio Ave (Miguelito marcou e não festejou lol), 0-1 Belenenses, 0-1 Benfica, 3-0 Boavista. Fantástico. E foi só fora de Casa. Tomara os grandes fazerem 3-0 no bessa ou simplesmente passarem em Vila do Conde. Duas derrotas, dois golos sofridos (1 em cada uma das derrotas).
E pronto, após o mais longo texto deste blog, desejo ao Nacional uma excelente segunda volta e que fique em segundo atrás do...Benfica. lol
Um abraço amigo
André Trindade

2 Comments:
Por recomendação de um amigo comum visitei o vosso blog. Força, amigos benfiquistas! A blogosfera precisa de todos nós para fazer do Benfica uma força mundial também na internet.
Abraço marado.
www.maradosdatasca.blogspot.com
Bom Blog.....
Quanto ao Nacional....uma boa primeira volta,vamos é ver se a 2ª volta se repete...para ver se fica em 2º,mas a trás do Sporting!
P.s: A noite de ontem foi bem facturada!!
Hasta Grande!
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