segunda-feira, dezembro 26, 2005

Luís Castro: um líder dentro do campo

«Fui capitão de equipa desde os 22 anos, porque os meus colegas diziam que tinha carisma». Agora, toda a gente conhece o treinador do Penafiel por Luís Castro, mas quando era futebolista todos o conheciam por Castro. «Era um lateral direito que tinha como características a entrega ao jogo e uma grande paixão. Era tecnicamente razoável, subia bem e tinha um bom pulmão. Tinha muita vontade». As palavras são de Vítor Pontes, técnico do União de Leiria, que partilhou o apartamento com o seu colega e amigo no V. Guimarães e n¿ O Elvas durante a década de oitenta.
Vencida a doença no sangue, regressou ao futebol. A porta do Vieirense abriu-se até ao U. Leiria e um tapete vermelho desenrolou-se. Chegou ao clube da cidade do Lis com idade de juvenil, mas já jogava pelos juniores e era capitão. Sobe a sénior, está no plantel da subida ao escalão principal, mas é dispensado: «Não subi, desci e levo um trambolhão». Nessa altura era defesa-central, mas derivou para a direita por indicação do treinador Pedro Gomes face às carências existentes no plantel. «Sou emprestado ao Vieirense, mas o U. Leiria desce e eu volto».
A partir daqui, a carreira projecta-se. Três anos no U. Leiria fazem-no chegar ao V. Guimarães, de Marinho Peres, onde ficou duas épocas mas praticamente só jogava pelas reservas. Depois foi para O Elvas. «Ele era capitão, porque era uma pessoa com princípios. Sabia ouvir os colegas, era amigo de todos, possuía uma formação acima da média, era culto, tinha uma personalidade forte, gostava de dar a sua opinião, em suma, era um líder», explica Vítor Pontes. No Águeda, o seu último clube, é capitão durante sete épocas. «Em votações de vinte e dois jogadores, vinte e um votava em mim. São momentos que recordo e me levam a pensar que vale a pena investir no aspecto humano».
Jogava futebol, mas estudava e chegou à Faculdade de Ciências e Tecnologias de Coimbra, onde cursou física. «Sempre estudei por causa da minha mãe. Sabia que ela se sentia bem por andar a estudar e fazia-o por ela, era uma questão de descargo de consciência. Mas não queria». Fechou os livros no segundo ano para se dedicar em exclusivo à modalidade que tanto ama: «A minha paixão era a biologia, mas não entrei. Gostava de ter seguido educação física, mas não tinha jeito para a ginástica e para a natação. Entrei em física, mas quando me lembro da faculdade, lembro-me de uma montanha que não conseguiria ultrapassar. Não sou alpinista».

André Trindade