terça-feira, dezembro 27, 2005

Campomaiorense: Onde estás tu meu alentejano?

Há tantos clubes que já desapareceram dos nossos olhos e outros que vão desaparecendo paulatinamente (Salgueiros, Farense, Alverca, Felgueiras, Tirsense). Decidi desta vez de falar um pouco sobre esse clube que já nos entrou pela Televisão a dentro, não só pelo bom exemplo de gestão (praticamente um negócio de família, promovendo os cafés Delta e o Alentejo), bem como, da sua queda após a última descida da I Liga para a II: o Campomaiorense.

De facto, admirei a coragem e honestidade da família Nabeiro que, ao ver que não rendia gerir um clube na II Liga do nosso Futebol, optou por fechá-lo em termos profissionais. Mas, enquanto isso não aconteceu, notámos a ascenção de um clube alentejano na década de 90. Quem não se lembra de ter dificuldade em dizer a palavra "Campomaiorense"? Eu penso que a palavra ajudou a que o clube se promovesse e propagásse no nosso país. Não sei, digo eu, na minha singela liberdade opinativa que este blog me permite ter. O Estádio Capitão César Correia em Campo Maior, Baixo Alentejo, bem perto de Espanha e de Badajoz, viu bons espectáculos de futebol, mas também, vivei momentos de grande desespero e sufoco nessa luta que é a da manunetenção. Pelo Campomaiorense passaram, essencialmente, treinadores que foram grandes jogadores no passado (Manuel Fernandes, Diamantino Miranda, Carlos Manuel ou João Alves). Em termos de matéria-prima, em termos de artistas há um nome que nunca poderá ser esquecido: Jimmy Haisselbank (espero que esteja bem escrito). Na primeira época na primeira divisão (95-96) este holandês desconhecido destacou-se ao marcar mais de 70% dos golos dos galgos. Na época a seguir seguiu para o Boavista e depois, chegou, viu e venceu no futebol inglês. Há inumeros jogadores que podem ser relembrados mas, este se me permitem, vou ter que referir, pois foi em Campo Maior que ele fez a sua última e grande aparição. Falo-vos de Isaías, esse grande benfiquista, com um pontapé canhão e com uma garra invejável e exemplar para qualquer praticante do desporto rei. Referi estes dois como fundamentais e marcantes, mas há mais, por exemplo: Demétrius, Laelson, Stoiilov, Jorginho, Rogério Matias, Hugo Cunha (um abraço), Beto (central do SCP), Arley, Wellington, Paulo Sérgio, Beke, Abílio, Mickey, Carlos Martins, Cao...entre muitos outros.

O ponto mais alto destas épocas, já por si de glória, foi a ida ao Jamor no ano de 1999 numa final (infelizmente) perdida para o Beira-Mar. Uma final que foi polémica, faltou assinalar um claro penalty por mão de Caetano, então defesa aveirense.

E pronto, aqui fica um pequeno registo em memória do Campomaiorense. Como tenho uma costela alentejana sempre gostei muito dos galgos de Campo Maior. Uma referência à família Nabeiro que com a sua arte, suor e muito trabalho consegui colocar este clube na Primeira Divisão, pena os jogadores e treinadores, por vezes, não acompanharem o exemplo de gestão dos seus Patrões.

Um abraço generoso e amigo

André Trindade