segunda-feira, dezembro 26, 2005

Penafiel de ontem, Penafiel de hoje: que diferenças.

É tão nítida a falta de jogadores com determinadas características nesta equipa assinada por Luís Castro. Ou então dir-se-ia que o treinador não revela apetência para desenvolver outros esquemas e consequentes modelos eficientes de cariz defensivo, sem jogadores que não lhe sejam “ideais” (o que é isso de jogadores ideais, ao certo?). Qual das hipóteses que aqui sugiro será a mais acertada? Sendo um profundo admirador de Luis Castro espero que seja a primeira, a falta de matéria-prima qualificada.

Sendo assim, muito mais do que um problema de confiança, o actual Penafiel de Luís Castro revela carências de plantel, e nelas incluo as situações dos lesionados Nuno Diogo, N’Doye (grande parte do começo de temporada) ou Marco Ferreira. No ano passado, o grande trunfo dos penafidelenses era a boa capacidade de clausura e saída rápida para o contra-ataque, com N’Doye a lançar e/ou progredir, bem como Sidney a transmitir um pequeno cunho pessoal no passe a partir da posição de trinco, aliando a uma faceta lutadora, claro está. Hoje em dia, Jorginho não mostra muito mais do que a faceta lutadora (e até mesmo "tosca" e sem qualidade para ser pelo menos um Fernando Aguiar), Nilton idem e também não há ninguém com a verticalidade mais técnica com capacidade de resolução nas bolas paradas como Wesley, por trás de Roberto – o brasileiro que já foi perdendo vantagem para Bibishkov nestas últimas jornadas. Se no Estádio 25 de Abril se nota a falta de perfil contra-atacante na equipa, poder-se-ia questionar o treinador penafidelense acerca da não utilização de extremos como Zé Rui ou Jacques e, porque não, maior regularidade em Cristóvão. Mas será que tanto Zé Rui como Jacques conseguiriam desempenhar funções parecidas com as de Clayton ou Edgar Marcelino, deambulando entre flancos e a zona central? Todo a pergunta tem sua resposta. É que até aí, na época anterior, ajudava o facto de haver Nuno Diogo disponível para fechar como terceiro central (em 5 defesas), libertando Kelly (preterindo Mariano) ou Celso (direita, depois da lesão grave no joelho do titular Pedro Moreira) nas alas para que os extremos flectissem para dentro, em direcção às costas de Roberto ou largando espaços para Wesley. O Penafiel de 2004/05 estava explorado ao limite. Sem dúvida que no ano de estreia Luis Castro aproveitou para disfrutar de alguma fama, ou seja, com um plantel, no fundo, fraco, conseguiu o 11º Lugar e teve dois rebuçados, ganhar em Alvalade e ao Benfica em casa.

Durante este início de época, Luís Castro, após a razia das “estrelas” foi amontoando médios e mais médios de pouca versatilidade ou desconexos do sistema, sendo o caso mais flagrante o de Orahovac que nem tem facilidade a actuar atrás do 9, nem como cabeça centrocampista do 4-5-1, nem encostado ao lado esquerdo. Para além deste ex-vimaranense dá-me vontade de dizer que Luis Castro não teve palavra nenhuma na esoclha dos jogadores para esta época. Quando adquiri uma revista de apresentação da actual temporada previ que o Penafiel não caísse pela qualidade do seu técnico mas, após observar a qualidade do seu plantel dá vontade de dizer: "como fazer omoletes sem ovos?" O actual Penafiel tem deficiências estruturais, físicas e consequente fraca articulação de sistemas e modelos. O que agrava esta situação é também, o sentimento de "gato por lebre" vivido nesta localidade duriense. De facto, vender jogadores por bons preços como foram os casos de Wesley ou Sidney para comprar mais jogadores mas de menor qualidade afecta mentalmente qualquer equipa e qualquer lider. Num onze base perder seis imprescindíveis e contratar jogadores que nem para pedreiros têm jeito dá nisto. Apenas 7 pontos, apenas 1 vitória. Veremos o que Juninho Petrolina, hoje por hoje o único reforço do plantel, traz a este onze penafidelense. E que outros reforços virão?Esperemos que Castro o saiba por a render porque é sabido que ele é um brasileiro e só a nacionalidade diz muito sobre a peça.

Após esta analise crítica ao plantel e, até mesmo, ao treinador Luis Castro (do qual sou admirador), apetece-me endereçar votos de sucesso para o plantel e, se não for possível, que Castro se mantenha na Primeira Liga do nosso futebol por muitos anos. Ficamos também com esta verdade, se na época passada ele chegou, não conhecia ningém e fez da fome fartura, esta época, já concluimos que está nas mesmas condições, porque não o consegue? Como diz Ulisses Morais: "O pior do futebol são os 90 minutos ao domingo. O resto é fácil..."

Um abraço amigo

André Trindade