quarta-feira, dezembro 28, 2005

Qual o projecto a seguir para o Desportivo de Chaves?

Um pouco no seguimento do que escrevi ontem sobre a equipa do Campomaiorense, quero agora dar uma palavrinha sobre esse clube transmontano que tantas vezes criou dificuldades no Estádio Munincipal de Chaves a equipas grandes. Quem não se lembra do nevoeiro que por vezes caía nesta cidade e que impedia, ou de acabar jogos, ou mesmo de os realizar por inteiro. O Desportivo de Chaves que durante a década de 90 foi presença assídua no nosso escalão maior, teve uma queda para a II Liga e de lá nunca mais conseguiu sair. Já uma vez tinha descido num jogo de cortar à faca contra a BRIOSA, em que a equipa de Álvaro Magalhães empatou e não consegiu permanecer no escalão maior, mas devido à descida do Leça na secretaria, o Desportivo de Chaves foi recuperado por ser o primeiro classificado das equipas que desceram. A sua localização um pouco distante dos centros de decisão de futebol no nosso País, fez do Chaves um clube de certa forma aguerrido e bem parecido aos nossos olhos.

Mas a vida tem destas coisas e, a última queda à II Liga, curiosamente consumada na época em que a equipa foi repescada, iniciou um ciclo cizento para as bandas flavienses. A equipa não mais ascendeu à primeira Liga profissional e, perdendo um bom numero de activos financeiros (receitas de televisão, bilheteira etc), começou a entrar na "onda" dos ordenados em atrasos aos jogadores. Na segunda liga tem andado sempre abaixo do 10º lugar. Até que, na última edição na II Liga, em que o Paços de Ferreira foi campeão, a equipa flaviense ficou em 17º lugar caíndo assim para a IIB. O cenário era taciturno, negro e quase de falência confirmada. Mas, o Alverca e o Felgueiras após confirmarem as suas situações de desistencia, abriram portas às duas primeiras equipas despromovidas. O Gondomar (16º) e o Desportivo de Chaves "safaram-se". A equipa flaviense frequenta a II Liga da presente temporada mas não se vislumbra qualquer projecto de liderança forte e coeso para o clube. A descrença no futebol originou esta situação em Chaves. O presidente (ou ex, já não sei bem), Mario Carneiro parece não ter meios para sustentar este clube. Se já na I Liga é complicado, quanto mais na II Liga, com a redução significativa de receitas. Se não há projecto, há duas hipoteses: ou ele aparece e faz renascer este clube transmontano ou então, porque não seguir o exemplo do Campomaiorense? Finalizar o futebol profissional e tentar renascer das cinzas daqui a uns anos perante outra situação económica (esperamos todos nós, mais favorável). E esta sugestão aplica-se a todos os clubes com a "corda na garganta". Não é fácil claro, privar o mais velho adepto de ver o seu clube do coração, mas antes privar o coração dos adeptos agora dos que ver a morte lenta dos clubes, como aconteceu com o Felgueiras, com o Farense ou com o Salgueiros. Para quê tanto sofrimento? Não sei se a minha perspectiva é a mais acertada mas, se um clube só dá prejuizo e não criar "felicidade profissional" nos seus jogadores, treinadores e mesmo, dirigentes, para quê continuar nesse marasmo de desorganização financeira ou económica? Nem com o totonegócio o Chaves lá vai! Não é descrença em ti, meu querido Chaves, é falta de dinheiro nos nossos bolsos!

Ao Chaves desejo as maiores felicidades e, se possível, que volte ao nosso escalão maior. Referi só o defesa Paulo Alexandre. Quem é este central? Provavelmente um dos profissionais com mais amor à camisola neste país. Ele é Chaves. Desde que o conheço que o vejo no Chaves. Obviamente é capitão de equipa. Sei que passou uma época pelo Aves, mas mesmo assim, passo a expressão, não largou a palavra Desportivo! Um exemplo a seguir, um exemplo de capacidade de sacrifício. Um profissional irrepreensível no trato. Força Chaves!

Um abraço Amigo!

André Trindade

P.S. O Chaves ocupa a 16ª posição na II Liga com 14 pontos em 16 partidas com 14 golos marcados e 20 sofridos.