segunda-feira, janeiro 30, 2006

Depois do árbitro quem é sempre o culpado para a derrota?

Olá amigos!

A pergunta que serve de mote a esta reflexão (que espero que seja útil), é sistematicamente respondida pela nossa comunicação social e, por conseguinte, pelos adeptos dos clubes. A resposta é, obviamente, o treinador. O chamado "manager", "coach", como queiram.

Quando uma equipa perde, a primeira culpa vai sempre para o senhor do apito. Quando as críticas ao árbitro são inúteis e "caem em saco roto", culpa-se, sempre, o treinador da equipa pela derrota. Todos sabemos que os dirigentes tentam escolher sempre o melhor treinador. Baseados num princípio de racionalidade, tentam adequar à sua estratégia directiva, um "manager" capaz, eficiente e, no caso das equipas com adeptos mais exigentes, um treinador que os convença. (pode ser este "manager" experiente e com provas dadas ou um com características para se grande, mas que não tem provas, sendo um aposta. Aliás, ambos são apostas da responsabilidade dos dirigentes) Em Portugal, há e, até mudarmos esta "mentalidadezinha", irá haver o mito culpabilizador do treinador. Equipa que perca 2,3,4 jogos seguidos neste país, o mais certo, é ficar sem líder no banco.

Não vou aqui, exempleficar, nomes de treinadores que passaram de bestiais a bestas em velocidade supersónica. Não. Não vou acusar este ou aquele dirigente por falta de visão estratégica e, claro, por falta de paciência para com o treinador. Não. O que é facto, é que nalguns casos, a mudança de treinador orgina subidas na tabela, melhiria do futebol jogado, mais adeptos no estádio, factos deste género. O que é louvável!Mas, a mesma mudança pode originar, por outro lado, a continuação de uma crise de resultados, a longa imagem do "este gajo nunca mais os põe a jogar à bola", o que vai criando instabilidade nos próprios jogadores. Nos últimos 6/7 anos, só me lembro por uma vez, um campeão nacional, com mais de um treinador. (Sporting, 99/00). De resto...(digo 6/7 anos porque é garantido o que digo)

Será a mudança de treinador ou a culpabilização do mesmo pelos resultados, o melhor caminho a seguir? O tal jogador que fica no banco, o tal que entra de inicio, é tudo da responsabilidade do treinador, perguntariam?
Claro que é, mas o que também se verifica é uma enorme pressão da comunicação social sobre este ou aquele técnico. Quando mais é um treinador inexperiente... Mas, mesmo experiente, caso Trapp e Camacho, a comunicação social nunca os deixavam, estavam sempre a meter água na fervura.. Para quê? Neste caso, dois treinadores do Benfica, é caso para perguntar: se o Benfica é e sempre será o clube que mais vende, tendo ou não tendo polémicas, porque não espalhar a polémica e aquecer os ânimos a outros clubes para ver se atingem vendas da mesma ordem? (é claro que não é o caminho a seguir, mas fica a questão para se pensar nela)

Camacho, numa entrevista aquando da sua passagem pelo Campeão Nacional, referia que, na maioria das vezes, a comunicação social julagava pessimamente o treinador por ter deixado este ou aquele de fora. É claro que, num país de pouca cultura, em que o adepto comum é "bronco" e não liga a inúmeros factores, a comunicação influencia as pessoas como se atirasse sobre elas balas mágicas. E, consequentemente, anda tudo a dizer que o Camacho, que o Trapp, que o Koeman são umas "merdas" porque deixam aquele de fora. Aquele de fora, que nem a comunicação social pode garantir se está com mazelas, queixas, ou limitações fisicas e mentais para jogar de inicio. Há que verificar que o treinador, por vezes, opta e as coisas não correm bem. Agora ver adeptos que não sabem o minimo sobre a condição fisica e mental do jogador que fica no banco (mm k ele seja melhor que o que joga de inciio), dizerem que ele é que devia jogar, é algo, repugnante. Não há nada que nos garanta 100% porque é que o treinador deixou este ou aquele de fora. Só se ligarmos para ele...

Claro que o futebol é um jogo de paixões. A quente tudo se diz, tudo se acusa e tudo se quer atingir. Mas, mais a frio, com mais calma, há que compreender que somos todos humanos, e nessa condição, somos limitados. Se jogador A falhou um corte que deu golo, paciência. Correu mal, acontece. Agora, caso esse jogador A, continue a falhar muitos cortes, jogo atrás de jogo, a dar golos, tenho que concordar com o adepto comum que logo após a falha do primeiro corte exalta-se e diz que o jogador é uma valente merda. Há que dar tempo a certos jogadores para se ambientarem, tudo bem. Há que dar tempo ao próprio treinador, tudo bem.

Espero, não ter sido muito confuso, mas este foi o comentário com muito coração e se calhar pouca organização.

Um abraço,

André Trindade