sábado, abril 22, 2006

Guimarães afunda-se...

O Guimarães empatou esta noite, ficando assim com 34 pontos a duas jornadas do fim e tendo de jogar com o FCP e com o Estrela da Amadora. Não acredito que façam ainda 40 pontos.

Vi o jogo com alguma atenção. Ao longo do mesmo apoderaram-se de mim dois sentimentos. Como se tivésse "duas almas em guerra".
Um fazia-me crer que desejava a descida do Vitória. Sempre me custou a entender porque é que certos clubes de alguma craveira não poderiam descer. O Vitória é um desses clubes. A simbolizar, ainda, este sentimento, estavam as recentes exibições do Vitória frente ao Benfica. Ganharam ambos os jogos. Um deles com um golo irregular. Facto que, em mim, ficou encravado...

Por outro lado, sempre gostei imenso deste clube minhoto. Como adversários tinham o Boavista, equipa que, sem sombra de dúvida, é o "meu" patinho feio na primeira linha do nosso Futebol. Sendo assim, custava-me estar a torçer pelo Boavista para que o Vitória se afundásse ainda mais. A acrescentar a este sentimento de, digamos, alguma pena pela situação vitoriana estavam: as bolas ao poste ao longo da época, a fantástica e incansável massa adepta minhota, os excelentes valores individuais da equipa, o treinador Vitor Pontes...

Num relvado completamente encharcado, onde era impossível praticar futebol pelo chão, surge um livre à entrada da área do Boavista. Benachour atira.... à Barra!! Custou-me ver aquilo. Passados uns minutinhos, o Boavista adianta-se no marcador. Que facada nas costas! A partir desse momento, o meu sentimento para com a permanência do Guimarães começou a prevalecer a qualquer outro. Torçi tanto pelo golo do empate que, quando Paíto meteu a bola na gaveta, saltei do sofá como de um golo da minha equipa se tratásse. Com 1-1 no marcador, o meu sentimento de mandar o Vitória para a segunda começou a emergir das cinzas. O jogo terminou. O futebol é das coisas mais oscilantes da vida no que toca a sentimentos.

Sinto-me neste momento um verdadeiro lagarto daqueles que dizem: "Eu não ligo a futebol, que ganhe o melhor..."

Três coisas eu reconheço: uma atitude fantástica do Vitorianos ao longo de uma batalha chuvosa; uma excelente arbitragem, num jogo de difícil juízo, por parte de Duarte Gomes; um Boavista duro de roer e muito bem organizado. E, pronto, considero que não perdi o meu tempo quando decidi ficar à frente do Televisor a ver o jogo do Vitória.

Um abraço meus amigos,

André Trindade