terça-feira, março 14, 2006

À Beira de um Mar de Primeira Água

Após alguns posts mais desenvolvidos sobre várias equipas do escalão maior, inicio no coachinside a análise, num nível mais detalhado, a uma equipa da Liga de Honra. E, para tal efeito, nada como começar pelo líder da prova, ou seja, o Sport Clube Beira-Mar. Apesar de, como já anteriormente havia referido, gostar de seguir os percursos de equipas pequenas e menos poderosas, nunca fui um grande admirador do Beira-Mar. Não que não existissem motivos para o admirar! Venceram uma Taça de Portugal em 99 e, em termos de estabilidade técnica, deram uma lição a muitos emblemas com a manutenção de António Sousa como treinador durante seis épocas e meia. Mas, não “morro de amores” pela equipa da cidade dos ovos moles.

E, já que falo em António Sousa, dá-me a sensação que a sua saída do comando técnico dos aveirenses originou a uma readaptação por parte dos jogadores, dos dirigentes e dos adeptos que não foi nada bem consolidada. De facto, Sousa saiu e o Beira-Mar desceu. Mas, o presente post não vai retratar essa época irregular que ditou a descida, na qual a equipa teve quatro (!!) técnicos ao longo da competição.

Sendo assim, vou tentar analisar o Beira-Mar de 2005/2006. É importante referir que já não é o carismático Mano Nunes a presidir ao clube aveirense. O novo Chairman, Artur Silva, decidiu abarcar um projecto ambicioso, no qual o grande objectivo seria o regresso ao escalão maior. Para isso contou com a colaboração de Augusto Inácio.

O Técnico tinha uma missão impossível aquando decidiu, a poucas jornadas do fim da temporada passada, aceitar o cargo de responsável principal para manter o clube na Primeira. Mas, o Campeão Nacional em Alvalade surpreendeu o mundo do futebol e aceitou orientar a equipa na Liga de Honra do nosso futebol. Não era o primeiro treinador Campeão Nacional a treinar no segundo escalão, estando num lote dotado de raridade.

A militar na Liga de Honra as necessidades aveirenses eram diferentes. O plantel foi bem preparado pela equipa técnica liderada por Inácio. Com algumas saídas importantes, era necessário construir um grupo forte para atacar, desde cedo, a subida de divisão. Em termos gerais, eis o plantel aveirense:

Guarda-Redes: Pavel Srnicek, Paulo Sérgio e Alê (Bragantino)

Defesas: Bruno Resende, Rui Óscar, Ricardo, Jorge Silva, Alcaraz, Tininho, Ribeiro, Marco (Al Ahly) e Buba (Estoril)

Médios: Marcelinho, Luis Vouzela (Moreirense), Daniel (Marco), João Pedro (Boavista), Torrão (Leiria), Zé Roberto (Naval), Sergey Loukima (Maia), Labarthe (Internacional), Francis Ikome (Terrassa), Diakitté (Vitória de Setúbal), Carlos Gomes (Padernense)

Avançados: Artur, Rui Lima, Nicolas (At. Valdevez), Roma (At. Valdevez), Miran (St. Clara), Didi (Vizela), Val (Goiás), Nélson (Gafanha), Ricardo Katchana (Portuguesa) e Jorge Leitão (Wallshal).

Como se pode constatar, os aveirenses têm um plantel, praticamente, novo. Muitas alterações principalmente no meio-campo e ataque. Só em termos defensivos é que, aparentemente, a equipa se reforçou menos mantendo a mesma estrutura. Conseguiram-se bons reforços no inicio da temporada com destaque para Zé Roberto, Vouzela (a meu ver o melhor jogador da equipa), Torrão ou Roma (melhor marcador da equipa neste momento), entre outros. Quanto a Buba, Ikome, Diakitté, Carlos Gomes, Jorge Leitão são alguns dos importantes reforços de Janeiro. Jorge Leitão, ex-emigrante em terras de Sua Majestade mostra-se um avançado com bastante qualidade. Diakitté é um centro-campista de raça, força e carisma. O ex-setubalense, agora com ordenados em dia, mostra-se muito útil para a equipa de Inácio. Francis Ikome é um velocista precioso.

Todavia, a equipa é líder em 3 indicadores. Mais vitória, mais empates e menos derrotas na Liga de Honra. Muito embora seja a com mais vitórias, é também, a com mais empates mas, isto é dicipado, com apenas uma derrota nesta temporada. Sem dúvida, aqui se denota a consistência defensiva aveirense que, ao cabo de 26 jogos, encaixou apenas 15 golos.

Inácio e os seus pupilos estão lançados rumo à primeira liga. A equipa está em 1º lugar com 51 pontos resultado de 13 vitórias, 12 empates e 1 derrota. Leva 33 golos marcados e 15 golos sofridos.

Tentando fazer um onze base, o que é difícil devido às contratações de Janeiro (pois algumas vieram para titulares), vou arriscar...

Na baliza Srnicek, à direita da defensiva Ricardo, centrais Marco e Jorge Silva, na esquerda Tininho. Meio campo com 4 homens: Vouzela, Diakitté, Ikome e Zé Roberto. Na frente: Roma e Rui Lima (ultimamente com Jorge Leitão).

Nunca sabendo o que o futebol nos reserva, temos um Beira-Mar com pujança e estrutura para se lançar novamente ao escalão maior. Mas lá está, nada está garantido...

Um abraço,

André Trindade

2 Comments:

At sábado, março 18, 2006 7:26:00 p.m., Anonymous Anónimo said...

Ó meu caro amigo !
Ricardo Catchana é natural do Alentejo profundo e transferido do Mineiro Aljustrelense para o clube aveirense.
Se se refere à progenitora de Catchana, ela é na verdade Portuguesa.

 
At quarta-feira, março 22, 2006 12:36:00 a.m., Anonymous Anónimo said...

Katchana com K

 

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